Ai, minha criança mimada
Que de miudeza
não tem nada.
Cê contraria o gênio dessa bichinha
e, mira:
as garras logo se afiam.
Mas sábio é aquele do mundo
Que das andanças viu
a fome -
a alma do bicho humano
E sabe que com cadinho de leite morno
Cura o lanho
e dociliza o ganho.
Mas a menina mimada
É ainda mais facetada:
ora gata arredia,
ora encoleirada.
ora tigresa negra,
ora dona de casa.
Helena e Afrodite,
Quem dera escolha existisse!
Vai-se assim, nas curvas, o sábio
Tentando achar pra si o atalho
Um dia, quem sabe?, ele alcança
Mas de agora
por agora
Ele gosta mesmo é de brincar com a criança
"você acredita em médico?! não! vai por mim, põe uma roupa bem bonita, entorna uns gorós de cachaça e vai lá se vingar dessa pessoa sim. agora!"
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
3:08 (sertão)
É certo que não se deve dizer a escrita, que ela - autônoma e outra – entidade sem identidade fixa, nasce, não do momento forçosamente espontâneo (o paradoxo que abriga dois seres incongruentes), mas do impuro e complexo impulso criador humano. Dito isto, criatura esta agora não imprimo, portanto não blasfemo, estou alerta. Somente coloco-me nesse instante vazio de acontecimentos, onde a mente o nada lê, e rejeita. Onde, na absurda brancura dos segundos, resolve escrever o que vê.
O que vê? Imagem alguma.
Insuportável!
Mas uma sobrevida vagueia solta pelo quarto, trata-se do besouro de asa atrofiada e vôo rasante; astuta, ela resgata o imperfeito de sua memória:
Soubesse eu desenhar, não estaria nesse pedaço de madrugada rabiscando letras sem sentido. Tivesse eu aprendido ponto e cruz, começaria agora uma bela colcha. Houvesse você insistido, esse pedaço de tempo seria cheio e barulhento.
Apresentasse hoje o “não” de amanhã e eu adormeceria.
domingo, 25 de julho de 2010
o caso de P. Garcia (parte III)
"...What am I coming to?
I'm gonna melt down
Blame it on the black star
Blame it on the falling sky
Blame it on the satellite that beams me home(...)"
Ele sabia.
O que o estagnava e devorava aos poucos. A presa.
Ele, não no centro da teia laboriosa secando ao tempo, à espera do triunfo final de seu dono. Mas aos cheiros de lírios e cravos amarelados, vermelhos, violetas, multicoloridos, celestes, psicodélicos - mutáveis - , quando sonhando com campos vastos, verdes e calmos, onde as copas das árvores tocassem o céu, deixara, por descuido consciente de um belo encanto, que as agulhas venenosas dissimuladas em botões tocassem-lhe o corpo, como o fizeram.
Primeiro a afonia, em poucos minutos, a surdez; em contagem menor do que a anterior, a cegueira; no andar de poucas horas, a paralisia total.
Não haveria o encontro ou triunfo, o tempo revelara. Não haveria outro sequer, assim como não havia mais o mesmo. Tudo fora se dissolvendo, a vontade diluía-se com o veneno.
sábado, 17 de julho de 2010
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