"você acredita em médico?! não! vai por mim, põe uma roupa bem bonita, entorna uns gorós de cachaça e vai lá se vingar dessa pessoa sim. agora!"

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Porque eu pensei sobre a nossa última conversa

A vida é uma coisa, o amor é outra.

Quando li essa crônica, fiquei arrebatada pelo seu grito romântico, tanto que abstrai a parte trágica – o indissociável. Sim, o amor são flores, são ilusões, é a construção de um mundo mágico encantado, mas para vivê-lo, assim, dessa forma, é preciso que se esteja só. O amor correspondido, compartilhado, insere-se instantaneamente na sociedade – na vida - sai da ilusão e perde o seu encanto para a razão. Talvez seja esse descaminho o trajeto mais saudável: o meio termo. O “amor” se institucionaliza, percorre no presente os vestígios de um futuro alegórico – cujo horizonte contém as cores de um pôr-do-sol renascentista. Uma revolução segura! O homem é ser pulsional, animal que deseja, mas que submete seus instintos à sapiência, aos porquês, aos fins. E deve ser, contanto que sobrevivam alguns resignados, poetas, errantes inveterados, para suprir a ânsia de vida daqueles que se ocupam do quebra-cabeça.


E eu...eu talvez eu nunca termine um quebra-cabeça, talvez nunca escreva uma poesia decente.

Por agora, ainda cito, faço bricolagem, SIM, sou insuficiente:

essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de 20 anos.
e eu quero as cores e os colírios
meus delírios
estou ligada num futuro blue

domingo, 26 de dezembro de 2010

Mas que displicência a do sábio
Durante a caminhada
O seu lugar com o do burro foi trocado

E há de se calar o desfecho dessa desventura
Pois história de burro com gato
Com final afinado
Só em desenho animado

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ai, minha criança mimada
Que de miudeza
não tem nada.
Cê contraria o gênio dessa bichinha
e, mira:
as garras logo se afiam.

Mas sábio é aquele do mundo
Que das andanças viu
a fome -
a alma do bicho humano
E sabe que com cadinho de leite morno
Cura o lanho
e dociliza o ganho.

Mas a menina mimada
É ainda mais facetada:

ora gata arredia,
ora encoleirada.
ora tigresa negra,
ora dona de casa.

Helena e Afrodite,
Quem dera escolha existisse!

Vai-se assim, nas curvas, o sábio
Tentando achar pra si o atalho
Um dia, quem sabe?, ele alcança
Mas de agora
por agora
Ele gosta mesmo é de brincar com a criança

terça-feira, 27 de julho de 2010

3:08 (sertão)


É certo que não se deve dizer a escrita, que ela - autônoma e outra – entidade sem identidade fixa,  nasce, não do momento forçosamente espontâneo (o paradoxo que abriga dois seres incongruentes), mas do impuro e complexo impulso criador humano. Dito isto, criatura esta agora não imprimo, portanto não blasfemo, estou alerta. Somente coloco-me nesse instante vazio de acontecimentos, onde a mente o nada lê, e rejeita. Onde, na absurda brancura dos segundos, resolve escrever o que vê.

O que vê? Imagem alguma.

Insuportável!

Mas uma sobrevida vagueia solta pelo quarto, trata-se do besouro de asa atrofiada e vôo rasante; astuta, ela resgata o imperfeito de sua memória:

Soubesse eu desenhar, não estaria nesse pedaço de madrugada rabiscando letras sem sentido. Tivesse eu aprendido ponto e cruz, começaria agora uma bela colcha. Houvesse você insistido, esse pedaço de tempo seria cheio e barulhento.

Apresentasse  hoje o “não” de amanhã e eu adormeceria.